São Paulo anunciou recentemente um pacote de investimentos de R$ 5,9 bilhões voltados ao setor ferroviário. O objetivo é fortalecer a malha interna, incrementar a capacidade de transporte de cargas de longa distância e reforçar a interconectividade com modais aquaviários e portuários, melhorando prazos e custos logísticos.
Enquanto isso, em âmbito nacional, estudos apontam que o Brasil investe em média apenas 0,21% do PIB no setor de transportes entre 2010-2021 — o menor percentual dentre 50 países analisados. Isso evidencia uma lacuna estrutural para que o país possa competir em termos de eficiência logística com outras nações emergentes.
De 2023 até junho de 2025, foram concluídos 14 leilões de concessão e otimização em rodovias federais e estaduais, com recursos contratados que totalizam R$ 168 bilhões e abrangendo cerca de 7.400 km de estradas. Esses processos marcam a tentativa de recuperar estradas deterioradas e melhorar a fluidez e segurança do transporte rodoviário de cargas.
Apesar dos investimentos, a matriz brasileira continua desbalanceada: mais de 60% da carga transportada ainda depende de rodovias, enquanto os modais ferroviário, aquaviário e aéreo respondem por fatias menores. O uso predominante do modal rodoviário eleva custos, aumenta emissão de poluentes e sobrecarrega a infraestrutura.
A necessidade de modernização inclui também cláusulas de sustentabilidade nos novos projetos de infraestrutura — portos, estradas, ferrovias — para garantir menor impacto ambiental e maior aderência aos compromissos climáticos do país.
Os recentes anúncios mostram avanço importante no setor logístico brasileiro. Se São Paulo seguir com capacidade de execução e se o Brasil aumentar seus investimentos estruturantes já iniciados, poderemos ver ganhos substanciais em competitividade, redução de custos e impacto positivo na produtividade nacional.